Os analistas inquiridos pela Reuters estão cada vez mais preocupados com o estado da economia mundial, com os preços do ouro a ultrapassarem os 4000 dólares por onça, sem que se vislumbre o fim da subida.
O aumento de 53% no preço do ouro este ano é atribuído às tensões geopolíticas — desde os conflitos armados em curso na Europa Oriental e no Médio Oriente — e a fatores económicos como as tarifas dos EUA e a força do dólar, a inflação persistente e o crescimento lento do PIB europeu.
Entretanto, os bancos centrais globais estão a caminho de comprar 1000 toneladas de ouro em 2025, o quarto ano consecutivo de grandes compras líquidas, à medida que diversificam as reservas de ativos denominados em dólares para ouro.
«A alta é inacreditável, indicando que algo de mau está a acontecer e que devemos ficar nervosos», afirma Dan Smith, diretor-geral da Commodity Market Analytics, citado pela Reuters.
Alguns analistas acreditam que os fatores de risco globais que impulsionam a procura pelo ouro como porto seguro estão elevados.
Normalmente, em um determinado ano, um ou dois fatores de risco movimentam o preço do ouro, disse o analista David Wilson, do BNP Paribas: "Mas, neste momento, tudo o que é um fator tradicional para o ouro está a acontecer."
Por um lado, os analistas citam uma mudança na política dos EUA sobre tarifas, comércio e imigração como possíveis fatores negativos para os preços do ouro, mas os fatores fundamentais do comércio, como o aumento da dívida, a diversificação das reservas e um dólar mais fraco, provavelmente não mudarão no médio prazo.
Theodor Lisovoy, Director de edição, para a Rough&Polished
