Um diamante florentino em forma de pêra de 137 quilates, brilhando com uma tonalidade «citrino requintada», reapareceu inesperadamente no Canadá após desaparecer misteriosamente no final da Segunda Guerra Mundial. Durante todo esse tempo, historiadores e especialistas acreditavam que a pedra havia sido roubada, lapidada ou escondida em segurança na América do Sul.
Acontece que a herança dos Habsburgos estava realmente escondida em segurança «por trás de sete fechaduras» – no cofre de um banco em Montreal. Este segredo de família cuidadosamente guardado tornou-se do conhecimento público, como prometido, apenas um século depois.
Após a Primeira Guerra Mundial, o imperador Carlos I da Áustria-Hungria transferiu as joias, incluindo o diamante florentino, que adornava as famílias reais europeias há séculos, para a Suíça para serem guardadas em segurança, temendo revoltas bolcheviques e anarquistas. Mais tarde, ele e a sua família estabeleceram-se na Suíça.
Em 1940, com o rápido avanço dos nazis pela Europa, a esposa de Karl, a imperatriz Zita, fugiu do continente com os seus oito filhos e chegou aos Estados Unidos com as joias numa mala de cartão. A família mudou-se então para o Canadá e estabeleceu-se em Quebec. O diamante, enviado através do Atlântico juntamente com outras joias e barras de ouro, foi colocado num cofre de banco, onde permaneceu durante décadas.
Na época, apenas os dois filhos da imperatriz, Robert e Rudolf, sabiam do paradeiro do diamante. Zita pediu-lhes que mantivessem o segredo do diamante por 100 anos após a morte de Karl, em 1922. Antes de morrerem, os irmãos passaram essa informação aos seus filhos.
Zita regressou à Europa em 1953, deixando as joias num banco em Quebec. Ela morreu quase quatro décadas depois, aos 96 anos. A história lendária do diamante — que possivelmente pertenceu a Carlos, o Temerário, provavelmente à família Medici de Florença e certamente à dinastia dos Habsburgos — alimentou várias lendas sobre o seu desaparecimento repentino, assim como as suas origens obscuras. Alguns especularam que a sua forma octogonal irregular, com 126 facetas, reflete a forma como as pedras eram cortadas na Índia. Outra teoria sustenta que o diamante foi lapidado em forma piramidal pelo renomado joalheiro flamengo do século XV Lodewijk van Berken.
O desaparecimento da pedra alimentou rumores de que ela, juntamente com outras joias austríacas, foi roubada pelos nazis após a anexação do país, e que as tropas americanas mais tarde recuperaram o diamante e o devolveram a Viena. Outra teoria sustenta que os vestígios da pedra levaram à América do Sul, de onde ela pode ter sido revendida nos Estados Unidos. Também se acreditava que o «Xá da Pérsia», um diamante de 99 quilates lapidado a partir de um diamante maior, fazia parte do diamante Florentino desaparecido.
A verdade acabou por ser mais prática e prosaica: todo este tempo, o genuíno e histórico «Diamante Florentino» esteve guardado em segurança num cofre de banco. O valor da pedra não foi divulgado — a família não tem intenção de vendê-la, mas planeia exibi-la num museu canadiano nos próximos anos.
Hélène Tarin, Editora Chefe do Bureau Asiático, para a Rough&Polished
