Para as empresas mineiras da Zâmbia, as prioridades para as eleições da próxima semana incluem incentivos mais fortes para o processamento de minerais, o relançamento da exploração e a expansão da produção de energia — medidas que, segundo elas, são necessárias para concretizar o objetivo do país de triplicar a produção de cobre, de acordo com a Reuters.
O segundo maior produtor de cobre de África tem como meta uma produção anual de 3 milhões de toneladas métricas, quase o triplo dos níveis atuais, à medida que procura capitalizar a crescente procura pelo metal utilizado em veículos elétricos, redes de energia e construção.
Essa procura impulsionou um aumento de mais de 40% nos preços de referência dos futuros do cobre no último ano, para 14 000 dólares por tonelada.
“A ambição de triplicar a produção de cobre exigirá incentivos mais fortes para a exploração, a produção local e a valorização, a par de grandes investimentos em infraestruturas”, afirmou o diretor executivo da Metalex Commodities, Ayo Sopitan.
Ele referiu que a Zâmbia também necessita de um Estado de direito mais sólido e de mecanismos de resolução de litígios, enquanto os direitos de exportação sobre concentrados continuam a pesar sobre os produtores sem capacidade de refinação.
O presidente da Câmara de Minas da Zâmbia, Anthony Malenga, afirmou que a elevada confiança dos investidores, resultante das reformas fiscais e de um envolvimento mais estreito com as empresas mineiras, ajudou a atrair mais de 10 mil milhões de dólares em investimento desde as eleições de 2021.
Afirmou que as discussões políticas entre o governo e as empresas mineiras estão a ajudar a resolver a maioria das questões pendentes em matéria de competitividade, mas que as ambições de crescimento da Zâmbia dependem agora da manutenção de um robusto pipeline de exploração. “A indústria mineira precisa de crescimento real e isso só pode acontecer com um aumento dos gastos em exploração greenfield”, afirmou Malenga, acrescentando que as reformas no regime de licenciamento devem garantir que as licenças de exploração sejam detidas por empresas com capacidade para desenvolver projetos.
A mineração é a espinha dorsal da economia da Zâmbia, contribuindo com cerca de 9% do PIB, gerando 72% das receitas de exportação e representando quase metade das receitas do Estado.
Mais de 8 milhões de zambianos estão recenseados para votar a 13 de Agosto, a fim de eleger um presidente, deputados e representantes do governo local.
Os analistas esperam que o presidente Hakainde Hichilema consiga a reeleição numa votação pacífica, apontando para uma ampla continuidade política para os investidores.
Embora os investidores esperem alterações limitadas ao regime fiscal após as eleições, o analista principal da Signal Risk, Menzi Ndhlovu, afirmou que a escassez de energia e as pressões laborais representam as maiores ameaças às ambições de crescimento do setor do cobre na Zâmbia.
A capacidade de produção de energia poderá ser insuficiente para sustentar uma grande expansão mineira sem novos investimentos significativos, enquanto os sindicatos poderão exigir aumentos salariais num contexto de crescente atividade mineira, afirmou Ndhlovu.
Os executivos do setor estimam que a Zâmbia necessita de, pelo menos, 2 000 MW de capacidade adicional para sustentar as suas metas de produção, embora os investimentos recentes devam aliviar as pressões sobre o abastecimento.
Mathew Nyaungwa, Editor Chefe para a Rough & Polished
