A Índia prepara-se para se tornar um centro global de pedras preciosas e joalharia nos próximos anos, segundo o ministro do Interior da União, Amit Shah, que discursou na 52.ª cerimónia dos Prémios de Pedras Preciosas e Joalharia da Índia, em Mumbai.
Ele salientou que as pedras preciosas têm sido parte integrante da cultura e da história da Índia há quase 6 000 anos e que nove em cada dez diamantes lapidados e polidos em todo o mundo são processados em Surat, na Índia. Mumbai, a capital financeira do país, está agora a emergir como um centro fundamental para o comércio de pedras preciosas e joalharia. Mais de 90 % dos diamantes lapidados e polidos do mundo são processados na Índia.
O governo, explicou o ministro, está a envidar esforços para desenvolver infraestruturas para este setor. Por exemplo, o recém-inaugurado “Bharat Ratna Mega Common Facility Centre”, na Zona de Processamento de Exportações Eletrónicas de Santacruz (SEEPZ), em Mumbai, ocupa uma área de 125 000 pés quadrados e alberga equipamento para impressão 3D, fundição e refinação.
Outro projeto marcante é o India Jewellery Park, que se espera que atraia investimentos no valor aproximado de 500 mil milhões de INR (5,2 mil milhões de dólares) e crie postos de trabalho para 100 000 pessoas.
Como observou Amit Shah, a indústria joalheira atingiu um volume de 2,44 biliões de INR (25,45 mil milhões de dólares) em 2025, representando 6,3% das exportações de mercadorias da Índia e proporcionando emprego a cerca de 7,5 milhões de pessoas.
Ao longo dos anos, a Índia tornou-se um importante exportador de joalharia para o Médio Oriente, Hong Kong, Europa e EUA, e está a explorar ativamente novos mercados.
O ministro está convencido de que o país deve agora conquistar toda a cadeia de valor dos diamantes cultivados em laboratório — desde o desenvolvimento de equipamentos e a criação de marcas até à produção propriamente dita e à abertura de lojas de retalho em todo o mundo.
“A Índia dispõe da infraestrutura, das competências, do capital e dos empreendedores capazes necessários”, afirmou. “Temos de nos preparar de forma a que todo o ecossistema e toda a cadeia de valor de fabrico dos diamantes cultivados em laboratório fiquem nas mãos dos indianos.”
Segundo ele, a “era dos diamantes cultivados em laboratório” está prestes a surgir, prevendo-se que o mercado cresça até atingir quase 50 vezes a dimensão do atual mercado de diamantes.
“Apenas aumentar o ritmo de trabalho já não será suficiente; a escala das operações também tem de ser transformada”, disse ele. “A Índia deve emergir como uma indústria pioneira na nova era dos diamantes cultivados em laboratório, e as marcas indianas devem tornar-se marcas globais, garantindo uma forte presença para a Índia e para os comerciantes de joalharia indianos neste negócio global.”
O governo indiano já tomou a iniciativa e planeia implementar “medidas adequadas” para garantir que o país obtenha “controlo sobre todo o ecossistema”, explicou Shah.
A Índia estabeleceu o objetivo de se tornar líder global em todos os setores até 15 de Agosto de 2047, um século após a sua independência.
Hélène Tarin, Editora Chefe do Bureau Asiático, para a Rough&Polished
